Dois gatos dividem o apartamento conosco: Thai, um siamês de belos olhos azuis de um ano de idade, e Totchi, um vira-latinha charmoso de seis. Abandonados, cruzaram nosso caminho e hoje são muito bem cuidados, vivem confortavelmente, têm comida e água à vontade, carinho de montão e brinquedinhos espalhados pelos cantos. O apartamento todo é compartilhado com eles, menos o escritório. Isso porque Thai tem fixação por computador. Quer mexer nas teclas, tenta pegar o cursor na tela e também as letras que vão aparecendo à medida que teclo. Não tenho condição de trabalhar assim. Para evitar que entrem, há um portãozinho de metal entre os portais como se tivesse criança em casa.
Quando Thai foi adotado, há dez meses, ele estava sob a proteção da associação Adote um gatinho (www.adoteumgatinho.com.br), que havia resgatado seus pais, com a mãe grávida, de uma casa abandonada por seus donos. Por conta da desnutrição da mãe, os oito gatinhos nasceram fracos, raquíticos e com o sistema imunológico detonado. Quando vi a ninhada pela primeira vez, na casa da protetora que os havia recolhido, estavam todos em quarentena, cheios de micose, com várias falhas no pêlo. Gostei daquele gatinho de rabo comprido e disse que ficaria com ele, mas precisaria aguardar até ele ficar mais fortinho.
Poucas semanas depois, ele chegou. Totchi não estranhou em nada o novo morador. Na verdade, o adotou também. Só que ele começou a espirrar e ficar com o nariz entupido, os olhos lacrimejantes e prostrado. Andava um pouquinho, parava e se enrolava. Parecia gripe, mas era mais grave que isso. Pegou um vírus e ficou muito mal. Teve de ficar internado por três semanas, chegou a pesar 300 gramas, o que lhe rendeu o apelido de “Esqueletinho” na clínica veterinária onde estava, e eu não consegui pegá-lo no colo quando fui visitá-lo, de tão fraquinho e esquisito que estava. Ele não conseguia se alimentar sozinho e teve de tomar antibióticos fortíssimos, mas sobreviveu. Da ninhada, salvaram-se dois, ele e uma irmã.
Quando voltou para casa era outro gato. Virou um capetinha. Parecia que queria recuperar o tempo em que esteve impossibilitado de pular, correr, brincar e descobrir tudo, além de ter virado um esfomeado. Só que depois de uns meses ele começou a desenvolver um gosto gastronômico estranho por… papel higiênico! Ele corta uma ou duas tirinhas com a unha, come e vai embora. Outras vezes, dá umas mordidas no papel pendurado e faz cara de contente. Ele tem ração à vontade o dia todo e ainda ganha, uma vez por dia, uns biscoitinhos para gatos que ele adora e só come se for colocado no degrau mais alto de uma escada de três degraus que fica na cozinha. Cada um com suas manias…
Às vezes, saio de escritório e o vejo dormindo sossegadamente em algum lugar. Dali a pouco, escuto o barulho característico de sua unha cortando o papel. Parece que ele acorda e pensa que é hora de “beliscar”, comer uma coisinha leve. No começo, pensamos que ele podia ter algum problema ou que aquilo lhe faria mal, mas não, é apenas um gosto exótico. Ele completou um ano este mês, continua espoleta e alegre e adora atazanar o Totchi que, por ser mais velho, é mais pachorrento. Carinhosos, os dois querem ficar por perto todo o tempo. Cada um tem sua personalidade, seus dengos e forma de demonstrar carinho. Respeitamos suas individualidades e convivemos todos amorosa e harmoniosamente.
(Foto: Aman Morbeck – Thai, o siamês, e Totchi, o vira-latinha.)

Aiiiiiiiiiiiiiiiii que fofoooooooooooo!!! Amo bichinhos de estimação! Sobre cães então, sou suspeitíssima para falar porque penso que não há olhar mais verdadeiro e profundo no planeta, do que o olhar de um cão para o seu dono… Adorei saber mais sobre o Thai e o Totchi! Qualquer dia irei conhecê-los pessoalmente… vou ensinar minha pequenuxa a gostar um monte de animais, todos os tipos!!! Hehehehee. Bjo grande, Van.
hahaha
Que o Thai era meio doidinho eu já sabia, pois já pude presenciar algumas de suas estripolias. Mas comer papel higiênico? Essa é novidade pra mim!
Esses bichanos…
Beijos, Aman